Quem conta nossas histórias?
Por Julia Carvalho Mendes
Inscrições abertas para oficina de escrita voltada para mulheres
Desde a sua fundação, o hoje nomeado Instituto 215 tem sua história marcada pelas mãos de mulheres. Essa presença atravessa tanto as equipes com oas ações realizadas ao longo dos anos. Reconhecer essa trajetória foi importante para repensarmos o papel das mulheres na construção da organização e a relevância de suas contribuições para tudo o que realizamos até aqui.
A partir dessa reflexão, surgiu a ideia de oferecer à cidade uma iniciativa que expressasse algo tão presente na nossa própria história: as mulheres, suas experiências e suas memórias.
Foi nesse caminho que retomamos o Novos Diálogos Suburbanos, projeto realizado em parceria com o coletivo Diálogos Suburbanos, que busca ampliar o conhecimento sobre os subúrbios, promover a troca de saberes e fortalecer a participação de seus moradores nos debates sobre a cidade. A proposta é seguir pensando a identidade suburbana, a resistência cultural, o patrimônio e as formas de ocupação dos espaços urbanos da Zona Norte e de outras áreas suburbanas do Rio de Janeiro, agora a partir das perspectivas das mulheres, figuras fundamentais na criação e na consolidação de tantas formas de resistência.
O Novos Diálogos Suburbanos: Memórias de Mulheres, nasce como uma iniciativa que articula formação, escrita e publicação para valorizar as histórias de mulheres que vivem, constroem e transformam os subúrbios cariocas.
Escrever para lembrar, compartilhar e permanecer
O projeto parte de uma compreensão simples, mas fundamental: as memórias de quem vive os territórios também constroem a história da cidade. Muitas dessas experiências, especialmente as de mulheres suburbanas, nem sempre encontram espaço nos registros oficiais ou nas narrativas que predominam sobre o Rio de Janeiro.
Ao estimular a produção e a circulação dessas histórias, queremos contribuir para a construção de uma memória contra-hegemônica dos subúrbios cariocas, reconhecendo as mulheres não apenas como personagens dessas narrativas, mas como autoras de suas próprias histórias, como nos ensinaram Carolina Maria de Jesus e Conceição Evaristo.
Para isso, o projeto reúne duas frentes: uma Oficina de Escrita Afetiva, voltada à experimentação e à produção de textos a partir de memórias individuais e coletivas, e uma publicação impressa que reunirá diferentes narrativas, criadas ao longo das oficinas, sobre os subúrbios cariocas.
A oficina será realizada em cinco encontros, com atividades de leitura, conversa, exercícios de escrita e compartilhamento de experiências. Ao longo do percurso, as participantes serão convidadas a revisitar suas trajetórias, refletir sobre os lugares aos quais pertencem, reconhecer as mulheres que marcam suas histórias e experimentar maneiras de transformar lembranças e acontecimentos cotidianos em literatura.
Mais do que ensinar técnicas de escrita, a proposta é criar um espaço de escuta, troca e criação, no qual diferentes experiências possam ganhar forma e encontrar caminhos para serem compartilhadas.
Os textos produzidos durante a oficina poderão participar do processo de seleção editorial do livro do projeto e reunirão diferentes formatos, como crônicas, artigos, entrevistas, reportagens e poesias. Dessa forma, buscamos ampliar as possibilidades de registro e circulação das memórias suburbanas, aproximando experiências pessoais, produção literária e reflexão sobre a cidade.
Inscrições prorrogadas até 30 de outubro
As inscrições para a Oficina de Escrita Afetiva foram prorrogadas até 30 de outubro de 2026. São 20 vagas gratuitas para mulheres a partir de 18 anos, moradoras dos subúrbios, periferias e baixada fluminense e interessadas em compartilhar suas experiências e desenvolver suas próprias narrativas.
A oficina acontecerá entre 13 de novembro e 11 de dezembro de 2026, em cinco encontros presenciais e on-line, totalizando 15 horas de formação.
Se você tem interesse em escrever sobre suas memórias, suas relações, os lugares que fazem parte da sua vida e as histórias que atravessam os subúrbios cariocas, este convite é para você.
Acesse o formulário e inscreva-se: https://tr.ee/9l316Henbl
Que mais histórias de mulheres suburbanas possam ser escritas, compartilhadas e reconhecidas como parte da memória da cidade.
Julia Carvalho Mendes é graduada em Letras pela UFRJ, mestranda em Educação, Cultura e Comunicação pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro e assessora de comunicação do Instituto 215.